nanda Tue, 28 Jul 2009 20:09:25 -0700
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Terra Estrangeira (1996) "o exílio sentimental.
a palavra estrangeiro para mim tem um apelo tão sonoro, tão misterioso, profundo.
estrangeiro, o que ainda não conhecemos, ou não nos é familiar, comum.
e quando a percepção deste despatriamento vem de nós mesmos ?
quando nós nos sentimos estrangeiros dentro de nossas escolhas, caminhos, destino ?
como será querer encontrar nosso lar sem saber este onde está ?
a liberdade é um pouco contrário ao lar, a pátria, a segurança de um abraço.
a liberdade e a solidão caminham neste filme de walter salles de uma forma poética, tem a força de quem quer ser forte para ser livre, e nesta liberdade se encontra frágil.
sonhos que nos levam em busca de terras, terras essas desconhecidas que podem não agradar ao conquistá-las.
a vida desgarrada.
além de toda esta proposta poética, há uma fotografia de encher os olhos. o preto no branco, o cinza, os tons do desligamento do real, da dureza, elegância, pureza.
interpretações fortes, vivas.
crítica ao brasil devastado, arrastado pela política.
terra estrangeira do brasil."
nanda Tue, 21 Jul 2009 01:27:04 -0700
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Europa (1991) "não quero tratar deste filme em termos técnicos, mas tenho que ressaltar que possui a fotografia, os enquadramentos e cenas mais criativas e belas que já assisti.
as imagens em sobreposição {retroprojeção e projeção frontal} a primeira vista dão ares grosseiros, mas ao meu ver, von trier quis dar esta impressão exatamente para refletir o distanciamento das personagens às ações. o foco é no sentir. imagens em p&b justapostas às coloridas em saturação baixa, também se aproveitam deste recurso, dando assim a sensação do sentimento pós-guerra, do alívio melancólico e cruel que a alemanha se encontrava.
o filme começa com uma cena marcante, com a narrativa em off de max von sydow e sua voz entorpecente, embotada. vale lembrar que europa {ou zentropa, como é conhecido em alguns países} é o terceiro filme da chamada 'trilogia hipnótica', com elementos de um crime, de 84 e epidemic, de 88, e possuem o recurso da narrativa semelhante a hipnose. voltando ao visual, duas cenas são inesquecíveis de tão bem 'moldadas', a sequência da banheira e a cena da igreja sem teto, com a neve e os pássaros desfilando sua poesia. lars von trier já havia me deixado 'in love' com seu dogville, agora reforça com este europa.
o choque de cultura é outro ponto a deliberar. a cultura européia pós-fascismo contraposta à cultura americana pragmática, bem colocada nas personagens do filme.
fica então ao espectador, formar suas conclusões e ponto de vista dos dois olhares pós-guerra.
a guerra psicológica que von trier nos retrata é tangível. o transe que a europa viveu após este episódio, e suas consequências são de forma belíssima representados por zentropa, o trem que aprisiona, amedontra, leva à tortura {psicológica} e à morte.
mais uma obra de arte de lars von trier."
nanda Sat, 18 Jul 2009 23:08:52 -0700
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Loki - Arnaldo Baptista (2009)
nanda Sat, 18 Jul 2009 22:45:35 -0700
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Romeu e Julieta (1968)
nanda Sat, 18 Jul 2009 22:38:15 -0700
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Dogville (2003) "'a quiet little town not far from here' e não é isto que somos todos, uma pequena cidade um pouco distante uns dos outros ?
nada é encoberto em dogville, tudo se revela, nas luz ou nas trevas.
a visão total.
sem portas, paredes ou janelas, criamos para nós mesmos essas 'ferramentas' de proteção. o ser humano na sua fragilidade, a humanidade e sua máscara ameaçadora. uma grande parábola.
grace {graça} chega a esta pequena cidade que somos nós, e por motivos desconhecidos, se entrega, na sua fragilidade e necessidade.
como aceitamos essa graça que se apresenta em nossas vidas ?
o filme nos remete a reflexões importantíssimas, é preciso assistir com coragem e desprendimento.
a vila do cão, como se intitula, a cruz que precisamos carregar.
a figura do cão, a vida de cão, a doçura e instinto do cão, tudo o filme retrata.
acolhemos e com a mesma mão que nutrimos, exigimos. acarinhamos e maltratamos. se te alimento sou teu dono. há tantas leituras para este filme inspirador..
cada personagem somos nós, nos vemos representados com nosso resguardo, bondade, medo, necessidade, entrega, e isso só revela que somos: humanos.
a humanidade carece da graça, mas nem esta aceita de graça. há o vil orgulho, a soberba e a falta de amor estampado em nossas caricaturas.
grace tentou, mas ao final sucumbiu a sua humanidade. o final real. a eterna escolha. o eterno aperfeiçoamento."
nanda Wed, 15 Jul 2009 22:43:02 -0700
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Avaliar agorananda Sun, 12 Jul 2009 21:09:39 -0700
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Os Contos de Canterbury (1972) "existem duas maneiras de retratar bem o ser humano. rindo das tristezas ou olhando com seriedade as bençãos.
no 'os contos de canterbury' de pasolini, baseado no livro de geoffrey chaucer, a vida está retratada em tom de sátira.
talvez a verve de pasolini enxergue através da beleza humana e encontre em nós o que mais repreende em nossa natureza. talvez não haja glamour, elegancia, virtudes na natureza do homem.
o filme não encerra-se aí, seria preciso lembrar a poesia que existe na descrição das cenas, a fotografia que é uma obra de arte, as interpretações sem impostura. algo tão dual como o ser humano, atrai e repele, aflige e agrada, nos leva a duvidar e refletir...
pasolino escolheu a comédia, encontrar graça na desgraça, fazer da vida um teatro grego e ilustrar a grande trilogia da vida, com este filme."
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